Eu costumo pular os artigos de Maílson da Nóbrega na Veja e confesso: é puro preconceito. Sou convicto que um sujeito que pega um Ministério da Fazenda para debelar uma inflação acumulada em 415,87% em 1987 - deixada por Bresser -, termina 1988 com 1.037,53% e entrega 1989 com inacreditáveis 1.782,85%, não pode nem sequer escrever direito, quanto mais comentar alguma coisa ou fazer críticas a quem quer que seja.
Mas o título do seu artigo dessa semana “Bolsa Família: voto racional, e não de cabresto” me chamou atenção, até pela vírgula desnecessária. Diz ele que “eleitores da oposição atribuíram a vitória de Dilma aos seus [do Bolsa Família] beneficiários”, que “os votos do programa são estimados em 27 milhões” e “o PT precisaria dobrar o programa para vencer só com eles”.
Para começo de conversa, não é bem assim. Ninguém é doido a ponto de atribuir exclusivamente - como Maílson dá a entender, se fazendo de engraçadinho - a vitória de Dilma ao Bolsa. É claro que todos concordam que foram necessários outros 27 milhões de idiotas para perfazer o total de 54,5 milhões de votos no Poste. No entanto, a verdade é que se não houvesse o Bolsa Família, nem mesmo a totalidade dos votos dos outros 27 milhões seriam dados a ela, que ficaria patinando em algo em torno de 20% do eleitorado, o máximo que o PT consegue, já que Dilma e coisa nenhuma são a mesma coisa.
Aliás, para a derrota de Dilma, bastaria que o povo soubesse dividir a paternidade do Bolsa Família entre o PT, que a usurpou, e o PSDB, que pouco insistiu no assunto, jogando mais uma vez uma eleição no lixo por excesso de preciosismos e escrúpulos.
Mas a pior parte do artigo do Maílson nem é essa. Pasmem: ele insinua que o Bolsa Família não é assistencialista e afirma que “trata-se de um investimento em educação”, e prossegue dizendo que “a ideia surgiu de avanços da neurociência”!
Cumequié?! O pior é que prossegue:
“A neurociência evidenciou o período crítico para a aquisição das habilidades de linguagem e aprendizado de uma pessoa, que vai até os 12 anos de idade. Nesse tempo, ocorrem sinapses dos neurônios que permitem ao indivíduo aprender e se preparar para continuar aprendendo. Se ele não for à escola nesse período, dificilmente conseguirá qualificar-se para disputar postos de trabalho.”
E o que é que o furico tem a ver com as calças?!
E o que é que o furico tem a ver com as calças?!
E, para finalizar, a pérola:
“O Bolsa Família não é voto de cabresto. Esse tempo passou, felizmente. Lá atrás, os coronéis abusavam de seu poder econômico e do controle do poder político para aliciar ou comprar votos. Eles eram intermediários entre o Estado e os eleitores pobres. O programa os aposentou dessa função.”
Eu acho que quem precisa examinar as sinapses neuroniais é o Maílson! Primeiro por afirmar que não existem mais coronéis. E seu amiguinho e ex-patrão, Sarney, o que é? E Ciro e Cid Gomes? E Collor? E Calheiros? Além disso, considerar que o povo que recebe o Bolsa tem consciência das besteiras que ele disse, só votou em Dilma por causa dessa palhaçada que ele inventou e não pela oportunidade de não fazer nada e ainda receber grana por isso, é um sinal da demência profunda que acomete o economista, provavelmente desde o seu nascimento. De mais a mais, quer fazer o leitor de idiota. A partir de agora, não lê-lo, para mim, não é mais por preconceito, mas sim pela certeza que, como eu disse no início, o cara não tem a mínima condição sequer de escrever de carreirinha.

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