Eu não conhecia essa “pérola” cometida por um suposto sacerdote que, um dia, me obrigou a ir ao Colégio Notre Dame, onde minha filha estudava, para protestar contra um livro seu indicado para a leitura de crianças de 12 anos intitulado “Hotel Brasil, O mistério das cabeças degoladas ”, em que rolam sexo, estupro, drogas, roubos e assassinatos. O site do dito cujo diz que trata-se de um “Romance policial que ultrapassa as fronteiras do suspense para oferecer aos leitores, num estilo preciso e contundente, um retrato em miniatura do país em que vivemos. Na sucessão de crimes, o leitor é desafiado a descobrir quem é o assassino”.
Trata-se de um demente. Desde quando a um sacerdote da igreja católica é dado o direito de escrever sobre temas desse tipo?
Quanto à babaquice desse tal “pai-nosso” (nosso é muita gente, essa coisa é exclusivamente dele), eu só tenho a repetir Bocage: “quiuspariu!, disse a princesinha ante a pequenez do pênis imperial”!
Uma merda dessas que começa falando em orgia e que tenho o desprazer de reproduzir abaixo, está mais para putaria do que para oração, bem de acordo com a cabeça suja desse sujeito!
Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim,
Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa,
Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação,
Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no vôo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões,
Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego, o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas,
Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,
Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão,
E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética,
Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,
Amemos.

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